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16 Agosto 2009

Doze de um lado e doze do outro. Quatro four-balls de manhã, quatro foursomes à tarde e doze singles no domingo. Vinte e oito pontos em disputa, catorze pontos e meio para ganhar. Já ouviu isto em algum lado? É o modelo competitivo da Ryder Cup, que há menos de um ano voltou a consagrar a equipa dos Estados Unidos, depois de uma década de domínio europeu. Mas é também o modelo da Solheim Cup, a versão feminina da prova, disputada no ano em que a Ryder Cup folga. E, depois de dois anos de qualificações e preparação, EUA e Europa defrontam-se esta semana em Sugar Grove, Illinois, para a décima-primeira edição da Taça, que a SporTV transmitirá na íntegra a partir de quinta-feira à noite.

A longo das dez edições anteriores, o domínio americano foi óbvio, com sete vitórias a sorrirem às jogadoras do lado de lá do Atlântico e apenas três às do lado de cá (nenhum empate, até agora). Tirando as últimas duas Taças, porém, havia já algum tempo que ninguém acumulava dois triunfos consecutivos, o que parecia anunciar um certo equilíbrio. De resto, uma visita às principais casas de apostas europeias (a Skybet e a William Hill são especialmente bem acolhidas entre os adeptos da modalidade) deixa perceber essa realidade: as dúvidas sobre o favoritismo são de tal ordem que as probabilidades oferecidas por uma casa a uma das equipas são rigorosamente iguais às probabilidades oferecidas por outra casa à sua adversária.

Uma das explicações prende-se com a actual estrutura do golfe feminino. O crescimento do americano LPGA Tour tem sido exponencial – e, portanto, várias das melhores jogadoras europeias passaram a jogar em permanência na América. Ao contrário do que acontece nos homens, porém, as visitas de sentido oposto raramente acontecem: apenas uma vez por outra uma jogadora americana de topo (ou uma jogadora de qualquer outro sítio do mundo, mas sediada nos EUA) visita o nosso Ladies European Tour. No fundo, o golfe americano e o golfe europeu são duas realidades tão distintas que quase nunca sequer se cruzam. A não ser aqui, na Solheim Cup, disputada de dois em dois anos. Onde, até por isso, tudo pode acontecer.

Do ponto de vista dos números, as jogadoras norte-americanas levam vantagem. São um pouco mais jovens, mas têm mais experiência do que as adversárias na “altíssima competição” – e, para além disso, estão todas no top 50 do ranking mundial. Mesmo aí, porém, os números não são absolutos, uma vez que o ranking valoriza infinitamente mais o LPGA Tour do que o Ladies European Tour (LET). É por isso que a forma de qualificação europeia tem vindo a transformar-se nos últimos anos, atribuindo neste momento cinco vagas através do LET, quatro através do ranking Rolex e as restantes três através da escolha directa da capitã (os ditos jokers). Entre as americanas, já se sabe: para as qualificações directas, só conta o ranking – e, portanto, só conta o LPGA. A capitã tem direito apenas a duas escolhas.

Mesmo assim, foram polémicas. Uma delas, pelo menos: a de Michelle Wie. Famosa desde a primeira adolescência, quando começou a ser tratada como “a versão feminina de Tiger Woods”, a jovem havaiana demorou a conquistar um lugar entre a elite do golfe americano. Alta (1,85 metros) e elegante, com umas longas pernas que só recentemente passou a esconder, Michelle foi primeiro uma estrela e só depois uma grande jogadora, o que lhe valeu o desdém de uma série de críticos e o ódio visceral de várias de adversárias. Depois de dois excelentes anos (2005 e 2006) e de outros dois absolutamente para esquecer (2007 e 2009), porém, está de regresso à boa forma. Ainda não ganhou qualquer torneio como profissional, mas tem tido uma série de bons resultados, o que a coloca por esta altura na 24ª posição mundial. E, no entanto, não recebe consenso: muitos continuam a criticar a sua escolha pela capitã, Beth Daniel.

É, paradoxalmente, uma das debilidades da prova: a beleza física de algumas das jogadoras. Se Michelle Wie ganha milhões em publicidade apenas por causa das mini saias, a verdade é que jogadoras como Cristie Kerr, Morgan Pressel, Brittany Lincicome, Natalie Gulbis (todas dos EUA), Tania Elosegui e Suzann Pettersen (ambas da Europa) também raramente perdem uma oportunidade de facturar nessa área. Gulbis, de rosto adolescente e generosos peitos, é mesmo a mais conhecida “menina de calendário” entre as grandes jogadoras mundiais – e Kerr, um pouco mais velha e bastante mais sofisticada, é regularmente recrutada para a capa das mais elegantes revistas americanas. “É demasiada fotografia e golfe de menos”, dizia ainda há dias um editorialista de golfe do jornal “Boston Globe”.

Laura Davies, a veterana obesa da equipa europeia (e única totalista da prova), ou Juli Inkster, a mais velha das jogadoras em prova, talvez sejam sensíveis ao argumento. As capitãs Beth Daniel (EUA) e Alison Nicholas (Europa), contemporâneas de ambas, também. Em todo o caso, há lugar para toda a gente no campo do Rich Harvest Farms, um luxuoso country club que há dois anos se preparada para a Solheim Cup 2009. Os treinos começam amanhã e os jogos a sério na sexta. Muitos das categorias de bilhetes (entre os 5 e os 125 dólares por dia) já estão esgotadas há meses – e o merchandising da competição (disponível em www.solheim-merchandising.com) factura milhões desde o início de 2009. Duas décadas depois, cumpre-se o sonho de Karsten Solheim, proprietário da PING, que a criou em 1990: a Solheim Cup está adulta – e virou incontornável.

 

 

TRANSMISSÕES SPORTV

Depois de  ter experimentado vários formatos, a Solheim Cup é hoje em tudo idêntica à Ryder Cup: jogos de pares na sexta e no sábado e jogos individuais no domingo. A SporTV vai cobrir tudo, incluindo a Cerimónia de Abertura.

 

DIA                            HORÁRIO            CANAL            EVENTOS

Quinta, dia 20            00.00-02-00         SporTv3          Cerimónia de Abertura

Sexta, dia 19             15.00-00.00          SporTv3          4 four ball e 4 foursomes

Sábado, dia 20          17.20-00.00           SporTv3          4 four ball e 4 foursomes

Domingo, dia 21        17.00-23.00           SporTv3         12 singles

 

AS EQUIPAS

 

As jogadoras americanas têm mais experiência na altíssima competição e estão mais bem posicionadas no ranking mundial. Mas a diferença é bem menor do que parece. O golfe feminino americano e o golfe feminino europeu misturam-se pouco – e é aqui, de dois em dois anos, que se fazem verdadeiramente as contas.

 

EUA

A CAPITÃ: Beth Daniel, 52 anos, profissional desde 1979, vencedora do LPGA Championship 1990 (Assistentes: Kelly Robbins  e Meg Mallon)

A EQUIPA

JOGADORA                           IDADE             RANKING ROLEX               OBSERVAÇÕES

Paula Creamer                       22                    5ª

Cristie Kerr                            31                    3ª

Angela Stanford                     31                    8ª

Kristy McPherson                    28                   18                                      rookie

Nicole Castrale                      30                   44ª

Christina Kim                         25                   42ª

Brittany Lang                         23                   30ª                                    rookie

Morgan Pressel                        21                   26ª

Brittany Lincicome                  23                   23ª

Natalie Gulbis                         26                   48ª

Michelle Wie                           19                   24ª                                    joker e rookie

Juli Inkster                             49                   45ª                                    joker

 

EUROPA

A CAPITÃ: Alison Nicholas, iInglaterra, 47 anos, profissional desde 1984, vencedora do US Women’s Open 1997 (Assistentes: Liselotte Neumann, sueca, e Joanne Morley, inglesa)

A EQUIPA

JOGADORA                            IDADE             RANKING ROLEX         OBSERVAÇÕES

Gwladys Nocera (França)       34                    130ª

Tania Elosegui (Espanha)       27                    191                                 rookie

Diana Luna (Itália)                 26                    218ª                              rookie

Laura Davies (Inglaterra)         45                    92ª

Sophie Gustafson (Suécia)      35                    34ª

Suzann Pettersen (Noruega)   28                    6ª

Helen Alfredsson (Suécia)       44                    10ª

Catriona Matthew (Escócia)     39                    14ª

Maria Hjorth (Suécia)             35                    35ª

Becky Brewerton (P. Gales)     26                    155ª                              joker

Anna Nordqvist (Suécia)          22                     22ª                                joker e rookie

Janice Moodie (Escócia)          36                    88ª                                joker

 

AMERICANAS À FRENTE

 

A equipa dos Estados Unidos domina claramente o palmarés da taça intercontinental, com sete vitórias em dez. Mas a Europa esteve melhor na segunda década do que na primeira – e, agora, quer começar a inverter o curso da história.

 

ANO            VENCEDOR  RESULTADO      CAMPO

2007            EUA               16-12                   Halmstad GK, Halmstad, Suécia

2005            EUA               15 1/2-12 1/2       Crooked Stick Golf Club, Carmel, Indiana, EUA

2003            EUROPA        17 1/2-10 1/2       Barseback Golf and Country Club, Malmö, Suécia

2002            EUA               15 1/2-12 1/2       Interlachen CC, Edina, Minnesota, EUA

2000            EUROPA        14 1/2-11 1/2       Loch Lomand Golf Club, Luss, Escócia

1998            EUA               16-12                   Muirfield Village Golf Club, Dublin, Ohio, EUA

1996            EUA                17-11                   Marriott St. Pierre, Chepstow, País de Gales

1994            EUA                13-7                    The Greenbrier, WS Springs, West Virginia, EUA

1992            EUROPA         11 1/2- 6 1/2       Dalmahoy Hotel CC, Edinburgh, Escócia

1990            EUA                11 1/2-4 1/2         Lake Nona Golf Club, Orlando, FlÓrida, EUA

FEATURE. J, 16 de Agosto de 2009

 

publicado por JN às 20:35
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Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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