ler mais...
16 Outubro 2009

Ontem, a meio do dia, fui ao Windguru.Cz, o site pelo qual boa parte dos golfistas europeus (e mundiais) confere a meteorologia antes de 18 buracos. Em Marselha, onde tantos parisienses gostam de refugiar-se no Outono e no Inverno, o tempo estava tão bom quanto podia estar nesta altura: céu carregado, temperaturas entre os cinco e os 12 graus centígrados, vento acima dos 15 nós, precipitação irregular à média de um milímetro por metro quadrado em cada período de três horas. E o panorama era bom em Marselha, diga-se. Em Ljunghusen, na Suécia, cujo famoso links não tarda a fechar para o Inverno, houve 4º C ao longo de grande parte do dia. Em Great South Bay, a bela praia do Estado de Nova Iorque, chovia a potes: 7,4 mm. Em Okinawa, o areal japonês em que as tropas americanas desembarcaram num dia de Primavera de 1945, fazia um impossível vento acima dos 28 nós.

Em toda a parte, ao longo do Hemisfério Norte (e mesmo estando a Europa, por esta altura, sob uma chamada “vaga de calor”), havia pelo menos nuvens. E em toda a parte, em ambos os hemisférios, havia gente a ver aquilo pela televisão: um torneio de golfe disputado debaixo de um perfeito sol de Verão, com 24º C, cinco nós de vento, nenhuma gota de chuva – e, aliás, nem uma nuvem sequer. Esse torneio era o Portugal Masters. E esse local era o Algarve. Tal como nos dois primeiros dias de 2008, o maior torneio de golfe realizado anualmente em Portugal volta a impressionar os visitantes pela meteorologia. Ainda na quarta-feira, pouco depois de aterrar em Faro, Retief Goosen o dizia: “Estava a chover imenso em Londres. Isto é uma maravilha. Parece outro continente.” E ontem foi parecido: jogadores de calças e pólos ultraleves, alemães passeando de calções pelo campo, espanholas abanando-se com leques, ingleses e inglesas bebendo coca-cola gelada à sombra das oliveiras, com a cara pintalgada de creme solar. Isto em meados de Outubro.
Se outra coisa não fosse, este III Portugal Masters já era isso: uma extraordinária promoção às maravilhas da meteorologia algarvia, com 650 horas de transmissão televisiva para mais de uma centena de países. E, no entanto, não está a ser “só isso”: está a ser também um grande torneio, com excelentes resultados e uma belíssima presença dos jogadores portugueses. Mas há dúvidas de que, bem orquestrada e promovida, uma simples candidatura à recepção da Ryder Cup 2018 seria um empurrão definitivo para tudo isto?

ESPECIAL III PORTUGAL MASTERS. O Jogo, 16 de Outubro de 2009  

publicado por JN às 10:58

pesquisar neste blog
 
joel neto

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
nas redes sociais

livros

"O Terceiro Servo",
ROMANCE,
Editorial Presença,
2000
saber mais...


"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
Editorial Presença,
2002
saber mais...


"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
saber mais...


"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
Publicaçõets Dom Quixote,
2004
saber mais...


"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
CRÓNICAS,
Esfera dos Livros,
2007
saber mais...


"Crónica de Ouro
do Futebol Português",
OBRA COLECTIVA,
Círculo de Leitores,
2008
saber mais...

arquivos
2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D