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22 Agosto 2010

É verdade. Daí a realização em Vilamoura, na próxima semana, de um evento único no mundo, a disputar à margem do incontornável torneio PokerStars EPT. Para ganhar o Fairways And Felts Challenge, aberto tanto a amadores como a profissionais, um participante terá de brilhar primeiro em 18 buracos de golfe e depois numa noitada de póquer. Em jogo estarão entre 50 e 75 mil euros. Mas a organização espera repetir a iniciativa – e, para futuras edições, já prevê prize pools bem superiores.

 

“Ambos os jogos exigem concentração intensa, auto-disciplina elevada, condição física forte e conhecimento profundo tanto da técnica como da de estratégia”, diz Kirsty Thompson, Business Development Manager do European Poker Tour. “Para além disso, tanto os jogadores de golfe como os jogadores de póquer apreciam a emoção da vitória (incluindo com uma pancada bem calculada ou um bluff na altura certa) e sofrem a agonia da derrota (incluindo com uma bola que morde o buraco ou com a única carta que te podia eliminar acabar por ser a última a sair). No fundo, os sentimentos competitivos são comuns.”

Resultado do raciocínio: o Fairways And Felts Challenge, um evento para já único no mundo e que se realiza na próxima semana (de 1 a 2 de Setembro), nas entrelinhas do PokerStars EPT Vilamoura, já reconhecido como o torneio de póquer com maior prize money existente em Portugal. Destinada em exclusivo a praticantes de ambas as modalidades, a competição deverá reunir uma prize pool algures entre os 50 e os 75 mil euros. Mas o PokerStars espera repetir o evento no futuro – e, para próximas edições, já prevê prémios monetários bem superiores.

“O European Poker Tour procura proporcionar aos seus jogadores uma oferta cada vez melhor e mais diversificada. E esta foi uma ideia que achámos interessante porque, para além de muitos jogadores de póquer jogarem golfe também, podemos envolver com ela a comunidade de golfe local”, explica Kirsty Thompson. “Temos grandes expectativas quanto a esta experiência. Esperamos que seja positiva e que, aliás, obtenha bastante atenção dos meios de comunicação social, permitindo também a Vilamoura evidenciar aquilo que a torna conhecida como um dos principais destinos de golfe da Europa.”

O evento, com um buy-in de € 1100 e aberto tanto a profissionais como a amadores, começa dia 1, com o segmento de golfe, marcado para o campo do Oceânico Pinhal. Através do mesmo programa informático habitualmente utilizado para distribuir os jogadores de póquer pelas mesas de jogo, a organização dividirá os participantes por equipas de quatro, que depois jogarão uma ronda de golfe (18 buracos) em formato Texas Scramble, com partida em shotgun e sem direito a handicaps (em gross, pois). A jornada encerrará com um jantar no Casino Solverde, com a distribuição dos prémios colectivos e individuais, incluindo scores e skills (Drive Mais Longo, Nearest To The Pin, Hole In One e afins).

No dia seguinte, falar-se-á apenas de póquer, mas o número de fichas com que cada jogador começará a jornada será definido em função dos seus resultados da véspera, incluindo score colectivo e skills individuais. A partir de então, as regras serão as clássicas do No Limit Texas Hold’em Freezout, acabando o torneio apenas quando restar um só jogador em jogo (e, portanto, na posse de todas as fichas). O prize money será depois dividido entre os primeiros da classificação, de acordo com a tabela de pagamentos habitualmente utilizada no Casino Solverde, anfitrião único desse segundo dia do evento.

Nunca, garante o European Poker Tour, alguém levou a cabo uma iniciativa do género. E JP Kelly, uma das novas estrelas do póquer europeu e mundial, foi logo um dos primeiros a inscrever-se, decidindo participar ao mesmo tempo no PokerStars EPT Vilamoura (onde defrontará, por exemplo, o português João “Jomané” Nunes) e no Fairways And Felts Challenge. O facto de não haver lugar a handicaps, garantindo-se com isso a competitividade do segmento de golfe, foi uma das armas para conquistar a sua atenção. Outra foi a qualidade dos campos de golfe de Vilamoura (ver caixa), nomeadamente o Oceânico Pinhal, que a organização preferiu ao Old Course em resultado de uma remodelação em curso nas últimas semanas, a qual o deixará, no final do mês, rigorosamente perfeito.

“Existe cada vez mais interesse no golfe a nível mundial – e os jogadores de póquer não são excepção. Estamos convictos de que esta experiência será muito comentada nos fóruns de discussão online, bem como entre os próprios jogadores”, prevê Kirsty Thompson. “De resto, orgulhamo-nos de patrocinar vários torneios de póquer por todo o mundo, incluindo Europa, Ásia e América Latina. Seleccionamos as localizações dos nossos torneios com base em vários factores – e um dos mais importantes são as possibilidades de essa região servir como ‘destino turístico memorável’. Embora seja verdade que muitos dos nossos jogadores são profissionais de póquer, aliás, também há muitos homens e mulheres ‘normais’ que participam nos nossos torneios durante as suas férias.”

A organização não prevê qualquer transmissão televisiva para o evento, que é realizado, para já, a título experimental. Mas espera repetir a experiência em simultâneo com outros torneios do European Poker Tour – e admite mesmo que o formato da competição possa ser corrigido, até aproveitando os inputs deixados pelos jogadores ao longo dos dois dias da competição da próxima semana. O PokerStars EPT Vilamoura, evento principal, é reconhecido como o torneio de póquer português com maior prize money. Na edição do ano passado, estiveram em jogo mais de um milhão e meio de euros. O empresário local António Matias foi o vencedor, encaixando um prémio superior a 400 mil euros.

 

A ESTRELA: JP Kelly, profissional “por acaso”

John Paul Kelly nasceu em Aylesbury, em Inglaterra, e começou a jogar póquer para se divertir. Fê-lo durante anos, na companhia de amigos e familiares – e nunca, até assistir pela primeira vez ao clássico programa de televisão “Late Night Poker”, da cadeia britânica Channel 4, o considerou mais do que um hobby. Até que se cruzou com esse universo de ousadia e vertigem que então começava a esboçar-se – e decidiu arriscar. Desde então, acumulou uma série de vitórias em torneios ao vivo – e, se os primeiros prémios monetários foram relativamente modestos, rapidamente os montantes começaram a crescer. Só durante o Verão de 2009, JP Kelly ganhou mais de 420 mil dólares em torneios da World Series Of Poker (WSOP). Por esta altura, e apesar dos seus escassos 24 anos, acumula já prémios monetários num valor total bem superior a um milhão de euros. E, embora tenha começado a jogar golfe há relativamente pouco tempo, não vem a Portugal apenas para passear. “O golfe é o antídoto perfeito para o stress que o póquer provoca” , diz. “Para além disso, Vilamoura tem alguns dos melhores campos de golfe do mundo, pelo que estou muito excitado com a perspectiva de ir lá jogar. Inclusive, estou a pensar ir mais cedo, na companhia de alguns amigos, para algumas rondas de treino”. Kelly vai participar tanto no PokerStars ETP Vilamoura como no Fairways And Felts Challenge.

 

A CHANCELA: PokerStars, simplesmente o maior

O PokerStars.com, principal organizador do Fairways And Felts Challenge, é o maior site de poker online, com mais de 36 milhões de membros em todo o mundo. Ao todo, tem já mais de 46 mil milhões de mãos jogadas, para um total de cerca de 280 milhões de torneios realizados. A empresa opera em todo o planeta com uma licença da Ilha de Man, mas entretanto já tem sucursais em Itália e em França, em ambos os casos com o beneplácito dos governos locais. Detentor dos recordes mundiais para o Maior Torneio de Poker Online e o Maior Número de Jogadores numa Sala de Poker Online, ambos reconhecidos pelo Livro Guiness dos Recordes, o PokerStars organiza, entre outros, o World Championship of Online Poker, o Spring Championship of Online Poker, o World Blogger Championship of Online Poker e a World Cup of Poker. Paralelamente, é patrocinador oficial dos circuitos European Poker Tour, North American Poker Tour, PokerStars Caribbean Adventure, Latin American Poker Tour e Asia Pacific Poker Tour.

FEATURE. J (O Jogo), 22 de Agosto de 2010

publicado por JN às 23:20
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08 Agosto 2010

1. Gosto de jogar golfe a pares. Gosto de jogar fourball, gosto de jogar foursomes e gosto mesmo de jogar Texas Scramble, modalidade  preguiçosa que, não sendo propriamente golfe, ao menos faz bem ao ego. Tenho jogado a pares com amigos e tenho jogado a pares ao lado de pessoas com quem não me identifico minimamente. A maior parte das vezes, jogo razoavelmente bem – e hoje, depois de ter já percebido que nunca conseguirei disputar um major, que não chegarei a ter cartão do Tour e que a própria oportunidade de continuar a arrancar relva por mais uns anos no meu home club já será um privilégio (foi uma aprendizagem difícil, mas eu já estava treinado: também tinha vindo a aprender que nunca namoraria com Kate Winslet, que Beyoncé jamais me serviria o pequeno-almoço na cama e que, aliás, nem a própria Rita Pereira, que não é mais do que a Rita Pereira, alguma vez aceitaria deixar-se fotografar comigo para uma revista “do coração”), se tenho expectativas de algum dia conseguir meter o meu nome no palmarés de um campeonato nacional, mesmo que meio rasurado, através de um torneio de pares. Pares absolutos, pares mistos, pares seniores (se um dia os houver) – por aí passará, tenho quase a certeza, o meu brilhante futuro como arrancador de relva.

Jogar a pares permite-nos dividir as responsabilidades, o que tem sempre a sua dose de conforto. Mas, mais do que isso, jogar a pares permite-nos partilhar o tempo. E o tempo, nesta modalidade tão bela como doentia, tão maravilhosa como esquizofrénica, é o mais importante de tudo. O que faz você com o tempo livre de que dispõe entre shots? Eis a primeira pergunta que lhe fará qualquer psicólogo de golfe que algum dia lhe ocorra consultar. Em que é que você pensa? Qual é a sua rotina mental? Como é que você desliga do shot anterior e aborda o seguinte? Pois, quando eu jogo individualmente, desligo-me da pancada anterior – e menos ainda preparo a pancada seguinte. Passo o primeiro terço do tempo a odiar-me por jogar tão pior do que aquilo que gostaria – e, quando enfim tento mudar para outros pensamentos, logo o meu cérebro parte em busca das coisas em que ainda serei ao menos razoável na vida (inclusive como cobiçador oficial de Kate Winslet, Beyoncé e Rita Pereira, queiram-no elas ou não), desconcentrando-me para o shot imediato. Já a pares não acontece nada disso. A pares, a tensão é dividida. Conversa-se mesmo – e conversa-se sobre o que é importante: o shot a seguir.

Porque, se há um abismo num jogo a pares, não é o de ter estragado já bastante o jogo: é o de estragá-lo ainda mais a partir dali. Num jogo individual, acontece-nos isso a toda a hora: fazemos um duplo bogey no 2, metemos uma bola out of bounds no 4 – e, pronto, lá se foi o handicap todo, lá se foi o jogo inteiro, lá se foi a nossa única manhã de lazer em tantos dias, lá se foi uma semana completa de vida. Resultado: arrastamo-nos penosamente pelo campo até ao fim da ronda, à espera da hora de almoço. A pares, não. A pares é uma chatice dar um mau shot, mas é verdadeiramente grave dar outro mau shot logo a seguir. É trágico para nós, mas é trágico também para outrem – e é, portanto, trágico para nós ainda mais uma vez. No fim, fomos capazes de reconcentrar-nos repetidamente. E, quando se vai a ver, pode-se bem estar lá em cima, na classificação, quando na verdade se pensava que o jogo fora mau. Bem vistas as coisas, os resultados de uma classificação de pares são sempre menos exigentes do que os resultados de uma classificação individual. E num jogo de pares joga-se apenas para a classificação, nunca para o score.

Por mim, não vejo nada melhor. Ainda prefiro jogar contra os adversários do que contra o campo. Ainda prefiro defrontar homens do que defrontar Deus. Ou o diabo.

2. Vou ouvindo cada vez mais relatos sobre a existência de aldrabice no golfe, e aqui há umas semanas tive a oportunidade de senti-la na pele. Acabei um torneio com 9 acima do par. O campo era técnico, havia bastante vento – fora uma ronda razoável, no fundo. Noutra formação, porém, um jogador fez uma ronda de 11 acima e entregou um cartão de 6 acima. Sabe-o ele, sei-o eu e sabe um dos seus companheiros de torneio a que, porém, não coube marcar-lhe o cartão. Fiquei zangado, mas isso é o menos. O pior é esta certeza absoluta de que vai acontecer outra vez: se não a mim, a outro qualquer. “Paciência, Joel. Ele só se mente a si próprio”, diz-me o António, a dita testemunha ocular. Problema: desde quando um homem capaz de roubar alguma vez se deixará constranger por mentir a si próprio?

SCORECARD. Golfe Magazine, Agosto de 2010.

publicado por JN às 11:03

01 Agosto 2010

Aos 30 anos e com quase 35 milhões de euros em prémios, Sergio García  dá sinais de cansaço. Durante o British Open de há duas semanas, falou mesmo em abandonar o golfe. Entretanto, já reconsiderou. Mas o facto é que não consegue um bom resultado desde o Accenture Match Play Championship de Fevereiro, que não mostra alegria em campo desde a vitória no The Players Championship de 2008 e que, aliás, parece vergado ao peso das expectativas desde a derrota no playoff do British Open de 2007. Estará “El Niño” a transformar-se num cliché?

 

“Sou jogador para andar à procura de resultados de 61, 62, 63. Não ando aqui para fazer scores de 71 consecutivos. Sinceramente, não sei se quero abandonar o golfe, mas sei que é assim que me sinto neste momento. Sempre fui capaz de dominar um campo de golfe. Se agora já não o sou, talvez não valha a pena o sofrimento de continuar a tentar.” As palavras foram proferidas há duas semanas, ao final do dia de sexta-feira, logo após a concretização da segunda ronda do British Open, em Saint Andrews. Sergio García haveria de reconsiderar no dia seguinte, depois de uma série de conversas com amigos e familiares e de um resultado de 70 pancadas que o lançaria para o 14º lugar final no terceiro major championship do ano. Para muitos, porém, o problema mantém-se: Sergio simplesmente esqueceu-se do privilégio que é fazer de um jogo de tacos e de bolas um modo de vida – e, ainda por cima, ser milionário com isso.

Já lhe chamaram “o melhor golfista do mundo sem majors”. Mas a verdade é que se trata de um título efémero: antes dele, chamavam o mesmo a Colin Montgomerie – e, por esta altura, quem ostenta o título é Lee Westwood. Facto: Sergio García nunca ganhou um “big one”. Facto: Sergio Garcia parece definitivamente vergado ao peso das expectativas desde que, em Julho de 2007, falhou, no buraco 18 de Carnoustie, um curto putt para vencer o British Open. Facto: Sergio Garcia não demonstra alegria em campo desde que, em Maio de 2008, ganhou o The Players Championship em TPC Sawgrass. Facto: Sergio Garcia não consegue um resultado verdadeiramente bom desde a chegada às meias-finais do Accenture Match Play Championship, em Fevereiro passado. E a questão é que o fim do namoro com Morgan-Leigh Norman, a filha de Greg Norman com quem andou a fazer planos para casar até que, um ano depois, ela preferiu outro caminho, já não pode explicar tudo.

Solteirão e com repetidos comportamentos de playboy, incluindo uma predilecção especial pelos automóveis exibicionistas (nomeadamente um Ferrari 360 Modena e um Jaguar XJR) e relações com várias super-estrelas do desporto e do espectáculo (nomeadamente a tenista Martina Hingis e a actriz Jessica Alba), Sergio García já tem, aos 30 anos, uma longa experiência nos domínios das desventuras amorosas. Mais: apesar da assumida paixão por Morgan-Leigh, nunca abandonou os hábitos mundanos que sempre haviam servido de base à sua existência, entre os quais os longos churrascos em Borriol, onde nasceu e oficialmente ainda vive, as futeboladas com os amigos, as noitadas pós-adolescentes de PlayStation e mesmo o acamaradamento com outros desportistas bons vivants, como Camilo Villegas e Rafael Nadal. E, na verdade, pode estar simplesmente cansado – tão cansado como sugere quando diz: “Tenho sentido cada vez mais assim. Sempre que parece que estou a chegar a algum sítio, alguma coisa acontece, um erro qualquer que me trava.” Sam Torrance, seu antigo capitão na selecção europeia da Ryder Cup, é claro: “Ele não está aqui. Na sua cabeça, preferia estar numa praia algures.”

Nascido a  de Janeiro de 1980, a curta distância da costa  Leste espanhola e a pouco mais de uma hora a Norte de Valência, Sergio García é o segundo de três filhos de uma família fundada no golfe. A mãe, Consuelo, dirigia a pro-shop do Mediterraneo Golf Club. O pai, Victor Sr., um antigo caddie que chegara a cultivar o sonho de ganhar um lugar no European Tour, era o golf pro local. Tanto o irmão mais velho como a irmã mais nova jogavam, atingindo mesmo algum sucesso enquanto amadores. Entretanto, a maior parte do talento estava concentrado nele. Iniciado ao golfe com apenas dois anos, Sergio jogou pela primeira vez na casa das 70 pancadas aos dez anos, conquistando dois anos depois os títulos de campeão absoluto do seu clube e de campeão nacional espanhol de sub-12. Durante a adolescência, cumpriu uma série de sonhos: jogou ao lado de Severiano Ballesteros, consumou o seu primeiro triunfo internacional (o Topolino World Junior Championship de 1994) e colocou-se na rota dos media ávidos de encontrar a próxima-grande-coisa do golfe mundial, numa altura em que Nick Faldo e Greg Norman começavam a declinar e Tiger Woods era ainda apenas uma promessa.

O seu primeiro cut no European Tour foi obtido aos 15 anos (no Turespaña Open Mediterrânea de 1995), o que constituiu então um recorde. Pouco depois, Sergio venceu o European Amateur, estabelecendo mais um recorde de juventude. Em 1999, conquistou a Silver Cup para o melhor amador no The Masters Tournament. Tornou-se de imediato profissional – e, quando apareceu a disputar a vitória no PGA Championship desse mesmo ano, num duelo final com Tiger Woods, já não era um desconhecido para ninguém, percorrendo o mundo com aquele que é talvez, ainda hoje, o seu mais famoso shot: um fade rasteiro batido contra uma árvore, incluindo uma correria adolescente fairway fora, a conferir o resultado daquela pequena loucura. Desde então, Sergio venceu 19 vezes como profissional, primeiro com o “estranho” swing que o pai lhe ensinara e depois com um novo swing construído à medida dos grandes instrutores americanos. O público rendeu-se-lhe sempre, os adversários elogiaram-no até não ser mais possível, os media não deixaram nunca de considerá-lo como candidato à vitória em qualquer torneio em que participasse. Até que, em 2007, aquele putt no 18 de Carnoustie, beijando o lábio do buraco e acabando por desistir de entrar, deu início ao seu declínio – um declínio que nem a vitória no The Players, nem os dois triunfos entretanto conquistados no European Tour conseguem disfarçar.

E agora, que se encontra mais ou menos a meio da tabela entre os jogadores potencialmente qualificados para a final da Race to Dubai (27º de uma lista em que se qualificam 60) e perto do limite do cut para o primeiro playoff da FedEx Cup (94º de uma lista em que se qualificam 125), a maior responsabilidade parece recair sobre Colin Montgomerie, o homem a quem roubou o tal título de “melhor golfista do mundo sem majors”. Por esta altura, e apesar da sua condição de “histórico” de Ryder Cup (onde detém um impressionante registo de 13 vitórias, 3 empates e 3 derrotas), Sergio está longe de uma qualificação automática para a 39ª edição da prova, marcada para Outubro no Celtic Manor Resort, no País de Gales. Uma convocatória no papel de wildcard parece ser agora a sua única esperança. E seguramente Montgomerie não vai querer ouvir da sua boca, na altura da “conversinha” entre os dois, frases como: “Não sei se vou deixar o golfe aos 30 anos, mas a verdade é que preciso de melhorar a minha confiança. Se não conseguir mudar a situação, terei de encontrar outras coisas a que me dedicar.”

 

Sergio García

NASCIMENTO: 9 de Janeiro de 1980, em Borriol, Castellón, Espanha

ALCUNHA: “El Niño”

FÍSICO: 1,78 m; 73 kg

PROFISSIONAL DESDE: 1999 (hcp +5)

CIRCUITOS: European Tour (desde 1999) e PGA Tour (desde 1999)

VITÓRIAS COMO PROFISSIONAL: 19 (incluindo 8 no European Tour e 7 no PGA Tour)

RESULTADOS EM MAJORS: 48 participações, 15 top 10 (incluindo dois 2º lugares no British Open, um 2º lugar no PGA Championship, um 3º lugar no US Open e um 4º lugar no The Masters).

DESEMPENHO NA RYDER CUP: 5 participações, 3 vitórias colectivas (registo pessoal: 14 vitórias, 3 empates e 3 derrotas)

GALADÕES E HOMENAGENS: Sir Henry Cotton Rookie of the Year 1999; Vardon Trophy 2008; Byron Nelson Award 2008

FEATURE. J (O Jogo), 1 de Agosto de 2010

publicado por JN às 23:41
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joel neto

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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